Já disseram que o Brasil é uma reunião de países dentro do país. E é mesmo. Cada Estado tem suas peculiaridades, tanto na cultura, como no sotaque e também no modo de agir das pessoas.
Aqui em Tefé, no meio do Amazonas, passei por algumas situações engraçadas:
1) na lanchonete, esperando para fazer o pedido, o garçom me viu com caneta e papel na mão (eu estava trabalhando) e disse: pode anotar aí o seu pedido.
2) ok. A equipe pediu vários lanches. E aqui tudo demora uma eternidade. Dizem que baiano é devagar, mas amazonense é quase parado. Recebemos o pedido depois uma meia hora. Algumas pessoas quiseram repetir e o garçom disse: "Não dá não. Vai custar...". Traduzindo: vai demorar. E eles não consideram que o primeiro pedido tenha demorado... Além disso, os pratinhos nos quais eles servem os lanches são contados. Se você demora pra comer, o garçom vem buscar a cumbuca para servir outro cliente.
3) um dos pesquisadores que estava com a gente, boliviano, morador de Tefé, biólogo que trabalha no Instituto Mamirauá, contou que uma vez levou um grupo a uma pizzaria aqui. É claro que consumiram bastante, pois havia várias pessoas. Quando as pizzas chegaram à mesa, eles notaram que faltavam algumas. Questionaram o dono do lugar, que respondeu: "não posso vender mais não porque vai acabar as pizzas. Senão, o que vou vender mais tarde pra quem vier aqui?"
4) outra frase costumeira aqui quando se pede algo: "O senhor tem (qualquer coisa)?". Resposta. "Tem. Mas acabou".
5) Ah! A melhor de todas: no cardápio há opções de "X-burguer" com queijo e sem queijo. Sensacional!!
Agora, a parte boa da viagem. Uma foto do espetacular Rio Solimões.[mais fotos no Facebook]
segunda-feira, 23 de novembro de 2009
Peculiaridades amazonenses
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quinta-feira, 19 de novembro de 2009
Ossos do ofício, sem sacrifício
Amanhã estou de partida para Tefé, no Amazonas. Vou com uma equipe da TV1 fazer reportagens sobre a primeira Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Brasil, Mamirauá.
Devo ficar duas semanas por lá, mas munida de máquina fotográfica, claro.
E pretendo abastecer o blog com muitas imagens sensacionais da Amazônia.
Só espero chegar a tempo de comemorar meus 30 anos perto dos amores.
Trinta anos... idade complicada, um tanto descaracterizada. Meio em cima do muro entre a juventude e a velhice: quem tem 30 anos não é nem uma coisa, nem outra.
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domingo, 8 de novembro de 2009
Universidade? Não. Uniboçalidade.
Estou estarrecida com a atitude da Uniban de expular a aluna Geisy, aquela do microvestido, que foi hostilizada e chamada de "puta" por um bando de universitários imbecis - incluindo alunos, homens e, pasmem!, mulheres também.
Na verdade, já devíamos esperar que uma universidade de quinta categoria tivesse uma atitude de quinta categoria. Como li no twitter hoje, "pior do que ser expulsa da Uniban é ter um diploma da Uniban".
Há males que vêm para bem, Geisy: agora você terá a chance de se formar numa universidade de verdade, onde exista espaço para discussões, que seja dirigida por mestres competentes, onde você não seja obrigada a conviver com boçais disfarçados de alunos.
Como disse Reinaldo Azevedo em sua coluna na Veja, "num país respeitável, Geisy receberia indenização milionária, e a Uniban encontraria o seu devido lugar na lata de lixo da educação moral".
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sábado, 24 de outubro de 2009
#021
Depois de muitos, muitos meses publicando porcarias, finalmente gostei da análise feita na matéria de capa da Veja desta semana.
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quinta-feira, 15 de outubro de 2009
Da série: descendo do salto
Se quiser me ofender, as duas maneiras mais eficazes são me chamar de desonesta e/ou injusta. Não suporto e não admito - porque não sou.
Qualquer outro adjetivo é discutível. Mas esses dois não; me tiram do sério.
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quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Rio 2009
Capa de hoje do jornal Extra, do Rio de Janeiro.
Sensacional.
Pra melhorar a vida das pessoas não há verba. Para receber uma Olimpíada aparecem bilhões (sem mencionar o caixa 2, 3... a "bola" das empreiteiras...)
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terça-feira, 29 de setembro de 2009
A frase
Há algum tempo uma amiga escreveu um post sobre a frase que as mulheres mais querem ouvir de um homem. Nunca esqueci aquele texto; aquelas palavras, volta e meia, soavam no meu ouvido.
Automaticamente, somos levadas a acreditar que ouvir "eu te amo" ou "você é a mulher da minha vida" - clichês que muitas vezes são repetidos como mantras, da boca pra fora - é o ápice do relacionamento, e não refletimos com profundidade o que realmente importa no dia-a-dia, na convivência.
"Tudo o que uma mulher quer ouvir é 'eu cuido de você'”.
“'Eu cuido de você' tem profundidade, responsabilidade, doçura, envolvimento sem barreiras. 'Eu cuido de você' sugere futuro, segurança, compromisso. E um bem-querer absoluto. Uma mulher quer ser cuidada, não venerada. (...) 'Eu cuido de você' é uma frase que faz qualquer homem parecer maior. Depois dela, o abraço fica mais gostoso, o colo é de um aconchego indescritível."
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sábado, 26 de setembro de 2009
De repente, 30
Quer dizer, nem tão de repente assim...
Nunca acreditei muito naquela história de crise da idade. Afinal, que grande diferença poderia haver entre um ano e outro, entre ter 20 ou 21, 25 ou 26... Mas agora, chegando nos 30, estou mudando de opinião.
É engraçado. Não sei explicar ao certo o que tem mudado nesses meses que antecedem os 30, mas algo está diferente.
Mais do que o cabelo ou o estilo das roupas - mais sóbrias -, tem havido uma mudança mais profunda e efetiva. Na maneira de ver a vida, de encarar os trabalhos, menos paciência para discussões fúteis, mais tolerância com as diferenças, tento ouvir mais e falar menos, tenho me policiado quanto as críticas que faço - e que recebo.
Pendências antigas e recorrentes foram resolvidas.
Quando eu tinha 18 anos, imaginava que com 30 já estaria casada, com filhos, num emprego burocrático qualquer, lavando, passando...
Ufa! Ainda bem que não foi assim. Viajei mais, namorei mais, tomei porres homéricos, tive empregos mais divertidos, terminei a faculdade, fiquei pra titia. Graças a Deus! O Lelê é a paixão da minha vida e, o melhor, é que tia fica só com a parte boa. Quando dá problema, a gente devolve pra mãe, né.
Chego aos 30 com menos amigos - só os verdadeiros ficaram. Mas chego com um companheiro - que também é amigo, cúmplice, meio maluco, mas que me diverte e, hoje, me faz rir.
Vou entrar na idade de Balzac redefinida, mais resolvida, zerada.
Os 22 dias "fora do ar" no começo deste ano me ensinaram a viver um dia de cada vez. Em menos de um minuto, tudo pode mudar. Por isso, nada de expectativas exageradas, nada de conclusões precipitadas, nada de exercícios futuristas. De concreto, só o hoje. Aprendi que serenidade é muito melhor do que euforia.
Garanto pra vocês que é melhor assim.
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terça-feira, 22 de setembro de 2009
Dia Mundial Sem Carro
Hoje é o Dia Mundial Sem Carro.
Mas peraêee: o Brasil é um dos países que mais têm incentivado a compra de automóveis. Redução de IPI, parcelamento a perder de vista, preços competitivos...
Faz sentido apoiar uma campanha dessas?
Além do mais, imaginem se 20% dos paulistas que usam carro diariamente resolvessem trocá-lo pelo transporte público (ônibus/metrô). Aí teríamos de inventar o Dia Paulista Sem Sair de Casa.
Caos total.
Eu acho bonitinha essas campanhas politicamente corretas, mas convenhamos, o resultado disso é quase nulo. Nem discussão gera. Pura hipocrisia.
Primeiro, seria necessário criar condições, para depois inventar campanhas.
Sou a favor da carona. Acho realmente que os carros em São Paulo - incluindo o meu - andam vazios demais. Geralmente, dos cinco lugares, apenas o do motorista anda ocupado. Mas também a campanha que fizeram sobre isso tentava incentivar que as pessoas a combinassem carona pela internet, com desconhecidos. Aí é demais.
Ou seja: ideias para campanhas bonitinhas não faltam. Mas sobra utopia,irrealismo e hipocrisia na execução delas.
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segunda-feira, 7 de setembro de 2009
♀ + ♂ = ≠
Os dois estão deitados na cama. Ela passa a mão no cabelo dele; ele retribui. A televisão está ligada num canal qualquer.
De repente, ele pede o controle remoto e escolhe a opção das rádios da tv a cabo.
Ela pensa: ele vai escolher uma rádio que toque blues ou jazz ou algo do gênero, pra completar o clima, claro.
Ele não pensa duas vezes: clica na CBN, a estação que está transmitindo o jogo de futebol.
Ela murcha.
Fim da história.
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quinta-feira, 13 de agosto de 2009
Não dá para mudar o começo, mas sempre dá para melhorar o final
Começou como diversão, se transformou em paixão, virou confusão e culminou com a separação. Dos três.
Algum tempo depois, o recomeço. Ou melhor: o começo, de verdade.
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segunda-feira, 10 de agosto de 2009
É inverno no inferno
Parei em uma loja de conveniência para tomar um café e no balcão havia a placa abaixo:
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segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Deus e o Jardim das Delícias
Religião, dinheiro e política são os principais responsáveis pelas guerras no planeta. Abaixo segue um excelente artigo de Hélio Schwartsman publicado na Folha de S.Paulo. Mas quem vive sob algum dogma religioso, é melhor pular a página. rs
Já que a comparação que fiz entre missas e comportamentos histéricos em minha coluna da semana passada irritou bastante gente, proponho hoje desenvolver um pouco mais o tema.
Convenhamos que religião e nosso conhecimento do mundo não andam exatamente de braços dados. De um modo geral, virgens não costumam dar à luz (especialmente não antes do desenvolvimento de técnicas como a fertilização "in vitro") e pessoas não saem por aí ressuscitando. Em contextos normais, um homem que veste saias e proclama transformar pão em bife sempre que dá uma espécie de passe seria prudentemente internado numa instituição psiquiátrica. E não me venham dizer que a transubstanciação é apenas um simbolismo. Por afirmar algo parecido --a "impanatio"--, o teólogo cristão Berengar de Tours (c. 999-1088) foi preso a mando da Igreja e provavelmente torturado até abjurar sua teoria. Ele ainda teve mais sorte que o clérigo John Frith, que foi queimado vivo em 1533 por recusar-se a acatar a literalidade da transformação.
Quando se trata de religião, aceitamos como normais essas e muitas outras violações à ordem natural do planeta e à lógica. A pergunta que não quer calar é: por quê?
Ou bem Deus existe e espera de nós atitudes exóticas como comer o corpo de seu filho unigênito ou o problema está em nós, mais especificamente em nossos cérebros, que fazem coisas estranhas quando operam no modo religioso. Fico com a segunda hipótese. Antes de desenvolvê-la, porém, acho oportuno lembrar que a própria pluralidade de tabus ritualísticos depõe contra a noção de Verdade religiosa.
Se existe mesmo um Deus monoteísta, o que ele quer de nós? Que guardemos o sábado, como asseguram judeus e adventistas; que amemos ao próximo, como asseveram alguns cristãos; que nos abstenhamos da carne de porco, como garantem os muçulmanos e de novo os judeus; ou que não façamos nada de especial e apenas aguardemos o Juízo Final para saber quem são os predestinados, como propõe outra porção dos cristãos?
Talvez devamos eliminar os intermediários e extrair a Verdade diretamente nos livros sagrados. Bem, o Deuteronômio 13:7-11 nos manda assassinar qualquer parente que adore outro deus que não Iahweh; já 2 Reis 2:23-24 ensina que a punição justa a quem zomba de carecas é a morte. Mesmo o doce Jesus, fundador de uma religião supostamente amorosa, em João 15:6, promete o fogo para quem não "permanecer em mim".
E tudo isso em troca do quê? A Bíblia é relativamente econômica na descrição do Paraíso, mas o nobre Corão traz os detalhes. Lá já não precisamos perder tempo com orações e preces, poderemos beber o vinho que era proibido na terra (Suras 83:25 e 47:15), fartar-nos com a carne de porco (52:22) e deliciar-nos com virgens (44:54 e 55:70) e "mancebos eternamente jovens" (56:17). O Jardim das Delícias parece oferecer distrações para todos os gostos, mas, se banquetes, prostíbulos e saunas gays já existem na terra, por que esperar tanto... --poderia perguntar-se um hedonista empedernido.
Volumes e mais volumes podem ser escritos para apontar as incoerências e desatinos dos chamados textos sagrados. Se acreditamos que um Deus pessoal chancelou ou ditou cada uma dessas obras, temos, na melhor das hipóteses, um Ser Supremo com transtorno dissociativo de identidade, também conhecido como personalidade múltipla. Espero que, no fim dos tempos Ele esteja judeu de novo. Tenho um primo que faria bom uso do Paraíso...
Voltando às coisas sérias, uma possibilidade mais plausível é que o chamado cérebro espiritual, os módulos neuronais que criam e processam ideias religiosas, seja menos permeável aos circuitos lógicos. Quem faz uma interessante análise do problema é o médico e geneticista americano David Comings em seu monumental "Did man create God?", uma ampla revisão de quase 700 páginas em que o autor esmiúça o caso de Deus sob todas as vertentes da ciência, em especial a neurologia.
Para ele, ao contrário do mais provocativo Richard Dawkins, a religião dá prazer, foi fundamental na evolução de nossa espécie e só será extinta quando o último homem morrer. Mais importante, Comings acredita que os cérebros racional e espiritual, embora funcionem de modo independente um do outro, podem de algum modo ser conciliados no que o autor chama de "espiritualidade racional". Cuidado aqui, o espiritual é uma esfera que abarca a religião, mas é mais ampla do que ela. Inclui outras tentativas de tocar a transcendência.
Num resumo algo grosseiro da mensagem central de Comings, só o que precisaríamos fazer é admitir que foi o homem que criou a ideia de Deus e escreveu os livros supostamente sagrados. Assim, nenhuma religião é verdadeiramente "a Verdadeira" ou intrinsecamente superior às concorrentes. Já não é necessário que guerreemos para descobrir se é o Deus cristão ou muçulmano que está certo. No limite, entregamos Deus para conservar uma espiritualidade menos belicosa, que nos permita a experimentar a transcendência a baixo custo.
É uma proposta engenhosa, mas, receio, muito difícil, quase impraticável. O monoteísmo já traz em germe a ideia de que existe um único caminho para a salvação e todo os que não o seguem estão condenados. Embora a maioria das pessoas consiga enxergar e valorizar as semelhanças entre os Deuses das várias religiões, sempre emergirão grupos mais intolerantes que exigirão o exclusivismo. Por paradoxal que pareça, não se os pode acusar de irracionais. Eles apenas levam realmente a sério o que está escrito. Numa abordagem puramente lógica, o Deus dos católicos e o de Calvino, por exemplo, não podem estar certos ao mesmo tempo. O conflito é uma decorrência do cérebro racional processando uma ideia espiritual.
É claro que podemos e devemos incentivar posições pró-tolerância como a de Comings. Os níveis de guerras religiosas variaram ao longo das épocas, num processo que certamente tem algo a ver com o modo mais ou menos pluralista utilizado pelos clérigos em suas prédicas. Não devemos, contudo, ser ingênuos a ponto de imaginar que o conflito possa ser extinto. O mundo é um lugar cheio de problemas.
De minha parte, embora ímpio contumaz, também acredito em transcendência. Para mim, ela está em atividades biologicamente inúteis às quais nos dedicamos e atribuímos valor, como literatura, música, pintura, filosofia e, por que não?, teologia. Elas podem ser extremamente prazerosas e, no limite, preencher nossas vidas com um significado que a natureza apenas não lhes dá. Mas não é porque a literatura nos leva à transcendência que devemos achar que Aquiles ou Brás Cubas existem.
[Hélio Schwartsman, 44, é articulista da Folha. Bacharel em filosofia, publicou "Aquilae Titicans - O Segredo de Avicena - Uma Aventura no Afeganistão" em 2001. Escreve para a Folha Online às quintas.E-mail: helio@folhasp.com.br]
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quarta-feira, 29 de julho de 2009
Apenas viva!
Apesar de ser um comercial da Coca-cola, a mensagem é muito bonita. E verdadeira.
Enjoy.
No fim, só vamos nos lembrar das coisas boas - pelo menos era assim que deveria ser.
Como disse alguém - que não lembro quem - não dá para mudar o começo da história, mas sempre dá para mudar o final.
[não é necessário ligar o som, pois está legendado. É curtinho. Vale a pena assistir]
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segunda-feira, 13 de julho de 2009
Coisas que me irritam
- pessoas que esperam o elevador para ir ao 1º andar
- gente que joga lixo na rua
- "espertinhos" que furam fila
- vendedores mal humorados
- acordar cedo
- quem me liga antes das 10h (com algumas exceções, claro)
- motoristas que param no meio da rua, normalmente sem dar seta
- fila dupla
- carro de gente "normal" estacionado em vaga de gente "especial"
- barulho de gente mastigando pipoca ou cochichando em sala de cinema / teatro
- quem atende celular no meio de palestras, reuniões e afins
- piadas preconceituosas
- ser subordinada a profissionais menos competentes que eu
- emails com correntes azarentas (sim, tem gente que ainda acredita nisso)
- quem trata mal os subordinados
- arrogância
- eu, irritada.
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sexta-feira, 10 de julho de 2009
Aviso!!
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terça-feira, 2 de junho de 2009
Paradoxos vitais
Já parou para pensar que nascemos sofrendo? Quando recém nascidos, sofremos com as cólicas, com os gases, com os refluxos, e o pior: não conseguimos dizer onde dói, o que dói.
Na primeira infância sofremos com os dentes nascendo, com os tombos aprendendo a andar, com as dores que ainda não conseguimos expressar.
À medida que vamos crescendo, as dores físicas continuam, e a elas acrescentam-se ainda outro tipo de dor: a emocional.
Sofrer faz parte da vida. E é uma parte importante. Arrisco até a dizer que gastamos muito mais tempo com o sofrimento do que com a felicidade. E isso é bom? Depende de como encaramos.
Do sofrimento dos poetas resultaram os melhores poemas; da dor dos músicos, as letras mais tocantes; da angústia dos pintores, nasceram os quadros mais admirados.
Ou seja: o sofrimento, de alguma forma, também resulta em alegria.
Sabe aquela velha história de que não devemos mexer em time que está ganhando? Pois é. Imaginem se fossemos felizes o tempo todo! Que razão teríamos para avançar, mudar, transformar, arriscar, melhorar, aprender,valorizar?
Pense nisso.
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domingo, 10 de maio de 2009
Segregação
Vou falar sobre um assunto polêmico: cotas raciais.
E começo avisando que sou contra. Absolutamente contra. Dividir as pessoas por raças é um retrocesso sem tamanho. A Constituição brasileira afirma que somos todos iguais - e além disso, sempre lutamos pela igualdade, seja das cores, seja dos sexos.
O programa Canal Livre de hoje, transmitido pela Band, discute o tema. Entre os convidados estão o sociólogo Demétrio Magnoli e o presidente da Educafro, Frei Davi Santos.
Os argumentos de quem defende as cotas raciais, seja na universidade, seja em qualquer lugar, são vazios. A começar pelo método usado pelo Censo no Brasil. Se eu, branquela desse jeito, disser ao pesquisador do Censo que sou negra, ou que sou parda, ele é obrigado a preencher minha ficha assim. Não há um "teste" mais eficaz, digamos, para "qualificar" a raça das pessoas. Isso abre margem para eu me qualificar como negra ou branca conforme a conveniência. E convenhamos, no Brasil poucas pessoas se definem como negras. Por isso invetaram o tal de "pardo" - não sei a diferença entre um e outro.
O problema para resolver a desigualdade no Brasil é tentar incluir os pobres. Sendo pretos ou sendo brancos. Por isso eu defenderia, com certeza e convicção, as cotas sociais. Sem essa de raça - isso pode nos levar à segregação.
Demétrio Magnoli lembrou bem o caso de Ruanda, onde os próprios negros se dividiram em raças superiores e inferiores, culminando com um massacre racial.
Eu acho, sim, que as universidades públicas deveriam ter vagas reservadas para quem não tem renda para pagar uma faculdade particular. Até porque nas universidades públicas, quem reina são os egressos das boas escolas, em sua maioria particulares.
Temos que evoluir para a inclusão das pessoas e, consequentemente, para a união dos povos. Tudo o que é criado para separar, dividir, classificar, culmina em guerras. Religião, dinheiro, status social, e por aí vai.
Com tanta desgraça e violência nesse planeta, está na hora de caminharmos na mesma direção.
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quarta-feira, 6 de maio de 2009
Terapia de salão
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sexta-feira, 1 de maio de 2009
Da série: dúvidas da humanidade
Outro dia um colega questionou por que os canalhas se dão melhor do que os "bonzinhos" quando o assunto é mulher.
Respondi pra ele que a questão não é ser canalha ou ser bonzinho. A questão é ser honesto.
Canalha dando uma de bonzinho é até trivial. Mas não tem nada pior do que um bonzinho querendo agir como canalha.
Mulher gosta de homem maduro, que acredita em si, que tem autoestima elevada, autoconfiança. E que se assume. Seja bonzinho, ou seja canalha. A partir daí, a escolha é nossa.
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terça-feira, 28 de abril de 2009
Dicas para enviar currículo
Mês passado, recebi centenas de currículo no jornal onde eu trabalhava. E desde então tenho pensado em escrever sobre isso, como forma de ajudar as pessoas. Eu nunca tinha sido responsável por analisar currículos. E agora sei a importância de certas dicas que às vezes não levamos em consideração.
1) A primeira dica e a mais essencial é: não mande currículo como anexo. Sempre cole no corpo do email. Isso facilita imensamente a vida de quem irá ler os emails, além de evitar a propagação de vírus;
2) Ao citar as experiências profissionais, comece SEMPRE pela mais recente, e siga em ordem decrescente;
3) Se você trabalha na área de comunicação, como eu (sou jornalista), uma dica bacana é reunir seus trabalhos em um blog ou site. Se a pessoa se interessar pelo seu currículo, é mais fácil ela clicar no link do que ficar abrindo anexos com exemplos de matérias publicadas;
4) Se você REALMENTE domina a língua portuguesa, destaque no seu currículo - pode parecer bobagem mas é uma característica importantíssima atualmente. Só tome cuidado para não cometer gafes logo na apresentação. Recebi currículos destacando essa qualidade mas a pessoa errou a gramática logo de cara;
5) Recebi alguns currículos em formato pdf. Poucos, mas recebi. Gente, jamais um selecionador vai perder tempo abrindo arquivos em pdf, por mais extraordinária que seja sua apresentação;
6) Foto no currículo? Só se a empresa pedir. Atualmente, isso está fora de uso;
7) Ao enviar o currículo, escreva algumas linhas se apresentando à pessoa que irá receber o email e faça um breve resumo das suas qualificações. Destaque suas principais habilidades e características, diga qual é sua disponibilidade de horário, se pode viajar a trabalho. São informações importantes, mesmo que a princípio a vaga não exija;
8) Não é bacana mandar email com cópia oculta para centenas de endereços, de maneira generalizada. A impressão que o selecionador tem nesses casos é de que a pessoa está desesperada atrás de emprego e mandou email para todas as vagas que encontrou pela frente. Por mais que isso seja verdade, certas atitudes é melhor omitir;
9) A qualificação é importante, mas a apresentação do currículo também é fundamental. Neste caso, aquela máxima de "não julgar o livro pela capa" não vale.
10) Se você não se encaixa na maioria das exigências que a vaga pede, não perca seu tempo enviando email e não faça o selecionador perder tempo deletando seu currículo.
Essas não são dicas de um selecionador profissional. São apenas itens que observei e que acho relevante repassar.
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sexta-feira, 24 de abril de 2009
#Campanha contra a hipocrisia
Antigamente, quando as pessoas se conheciam, trocavam telefone. Na década de 90, começaram a trocar email. No início do século XXI, evoluíram para o celular, em seguida para o msn e orkut.
Eu parei no tempo, na fase do email. Sou mulher, mas tenho um lado masculino que prevalece quando se trata de comunicação. Por exemplo, quando não sei o caminho, costumo dar voltas ao invés de parar para perguntar. Telefone? Detesto. Fico dias sem usar o celular (e sem atendê-lo também, principalmente se for número restrito). Email vc responde quando quer, e se quiser. Não acho que as pessoas têm obrigação de falar com os outros quando não estão a fim.
Enrolei tudo isso para dizer que eu uso a tecnologia a meu favor. Conecto e desconecto (literal e metaforicamente) quando e onde me convém. E não tenho problema nenhum em admitir isso.
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quinta-feira, 23 de abril de 2009
Mais foda seria não publicar o 'caralho'
A Folha de São Paulo publicou hoje uma matéria com a reação de Ciro Gomes sobre a questão da cota de passagens aéreas para parlamentares. Conhecido por seu temperamento "forte", o ex e futuro candidato à presidência da República "desabafou" aos jornalistas presentes que não tinha medo do Ministério Público, nem da imprensa, nem dos deputados.
"Ministério Público é o caralho! Não tenho medo de ninguém. Da imprensa, de deputados". "Pode escrever o caralho aí", disse Ciro. A Folha obedeceu e publicou (para assinantes).
Recebi alguns emails de colegas jornalistas criticando a atitude do jornal. Oras, a hipocrisia mundana - que também habita a imprensa - é uma merda. Um deputado diz que "MP é o caralho" e o jornal não deveria publicar??? Não é uma informação relevante??
Ciro também chamou os colegas deputados de "um bando de babacas", desta vez, generalizando, sem citar nomes.
Para meu alívio, um amigo retrucou a hipocrisia com o singelo comentário: "É no mínimo engraçado ser brasileiro e habitar esta terra. Um monte de gente pelada, carnaval o ano inteiro, criança dançando funk na televisão e quando aparece um caralho no jornal o pessoal cai pra trás?"
Pois é. Isso chama-se hipocrisia. Bah...
ps: o Congresso em Foco trouxe um texto mais completo sobre o assunto. E não editou os palavrões.
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domingo, 19 de abril de 2009
Saindo do papel
Há alguns anos precisei abrir uma empresa para emitir nota fiscal dos trabalhos que fazia na área de comunicação. Agora, estou começando a viabilizar um projeto para tirá-la do papel e ir para um endereço real. Um dos "detalhes" que preciso resolver a priori é o nome fantasia (uso o mesmo nome da razão social).
Alguém por aí tem alguma dica? Não gosto muito de estrangeirismos, mas se for muuuito bacana, aceito. rs
Ah! É uma empresa de comunicação, na área de jornalismo. Eu queria evitar o já tão manjado "press"...
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domingo, 12 de abril de 2009
Alternativa
A maioria das pessoas ficam ansiosas para completar 18 anos, chegar à maioridade. As razões variam, mas em geral, ultrapassar essa barreira significa poder tirar habilitação para dirigir, entrar no motel com o RG original, frequentar as baladas dos irmãos mais velhos, comprar bebida alcoolica e/ou cigarro sem medo em qualquer loja de conveniência, e mais um milhão de "vantagens".
Para mim, claro, tudo isso fazia parte da ansiedade. Mas o meu primeiro ato pós-adolescência seria também o meu primeiro gesto nobre e de altruísmo: doar sangue. Sempre quis me tornar uma doadora. O gesto mais humano que podemos ter é doar algo que é genuinamente nosso, algo que nos mantém vivos, que é parte do nosso corpo.
Para minha decepção, ainda na adolescência descobri que tenho talassemia - anemia congênita, sem cura, mas que por ser na forma 'minor', não me causa problemas nem restrições, com exceção de doar sangue. Segundo a médica, o meu sangue poderia ser aproveitado por outras pessoas, mas eu correria o risco de ficar muito fraca.
Ano passado fiz uma matéria sobre transplante de medula óssea e descobri que o procedimento é bem mais simples do que o nome sugere. É um transplante e acompanha todos os riscos de uma cirurgia, claro. Mas doar medula não é um bicho de sete cabeças. É parecido com doar sangue. E o transplante de medula não é utilizado apenas no tratamento da leucemia - apesar de ser o uso mais comum. A medula doada pode ser a solução de diversas outras doenças.
Estou pensando, desde então, em compensar a decepção com a doação da minha medula.
ps: se alguém já tiver passado por esse procedimento, por favor, me conte como foi.
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
Que seja eterno enquanto dure. E que dure pra sempre
Uma metáfora dita na novela das oito me fez refletir. Segundo os personagens indianos, os ocidentais se casam com a água fervendo, e deixam ela esfriar ao longo do tempo. Os indianos casam com a água fria, e fazem-na ferver com o passar dos anos.
A paixão faz parte da vida, nos motiva, impulsiona, anima. E talvez por ser algo que nos proporciona um nível alto de prazer em tão pouco tempo, vicia. E é aí que precisamos ter cuidado. Eu acredito e apoio que tudo na vida tem de ser feito com paixão. Mas ela não dura pra sempre; o corpo acostuma e o prazer, antes viciante, já não surte o mesmo efeito. Temos que aprender que os estágios subsequentes à paixão também são interessantes. Menos viciantes, portanto, passíveis de maior controle, sensatez, senso crítico, dissernimento.
Não cheguei a nenhuma conclusão sobre qual caminho seria melhor seguir - se dos indianos ou dos ocidentais. Só sei que defendo a paixão como uma fase necessária, seja no começo ou no meio. Só não no fim, porque aí a chance de overdose é grande.[semana passada mais uma amiga resolveu juntar as escovas e colecionar fraldas - não necessariamente nessa ordem. Lí e Chico, além de amor, desejo sabedoria, paciência e compreensão para que essa etapa da vida de vocês dure para sempre]
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quinta-feira, 19 de março de 2009
Questão de escolha
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sábado, 14 de março de 2009
Stand-up
Esta semana participei de um bate-papo com o Rafael Cortez e o Oscar Filho, na Fnac, sobre a disseminação e o sucesso das comédias stand-up. Fiquei tão interessada no assunto que ontem estreei nas plateias. E virei fã.
O show parece tão simples - afinal, não tem cenário, não tem muleta alguma -, mas é extremamente complexo fazer esse tipo de humor. O artista tem que estar informado sobre a atualidade, senão perde ganchos importantes. Piada pronta não vale. Informação antiga também não. E disseram que uma das regras do show é fazer a plateia rir a cada 15 segundos. Ufa!
Uma inovação que achei bem interessante foi apresentada pelo Ben Ludmer. Ele mistura stand-up com mágica. A fórmula deu muito certo.
A blogueira Rosana Hermann também estreou ontem. Nos palcos. Ela foi convidada pelo Bruno Motta e mandou muito bem. Segurou uns 20 minutos de show e fez a plateia rir bastante. Eu sou suspeita porque gosto muito do trabalho da Rosana, há anos (bem antes do Pânico e da Band).
Para quem estiver a fim de assistir um show desses, em São Paulo sei de dois lugares que abrigam stand-up bacanas: Memphis e Teatro Folha.
Vale a pena e não são programas caros.
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domingo, 8 de março de 2009
Santa ignorância
Hoje, Dia Internacional da Mulher, chovem "homenagens" de todos os lugares, principalmente da mídia.
É fato que, a cada ano, temos avançado em diversos aspectos. Temos conseguido nos destacar cada vez mais na economia, na carreira, na formação cultural, na política.
Mas ainda falta muito. Falta, principalmente, a conscientização da sociedade sobre o papel importante que as mulheres têm desempenhado há tanto tempo.
Essa semana fiquei estarrecida com a declaração de um arcebispo brasileiro, que afirmou que o aborto é um crime mais grave que o estupro. Eu desejo que esse senhor nasça mulher na próxima encarnação para entender o quão horrenda é essa opinião.
E hoje, para completar minha total aversão à igreja católica, o Vaticano, em sua "homenagem" às mulheres, publicou uma nota dizendo que a "lavadora de roupas foi a verdadeira emancipação feminina".
A BBC fez uma reportagem na Finlândia mostrando que as pessoas não usam camisinha porque a igreja diz que há furos nos preservativos, por onde é transmitido o vírus da Aids. Resultado: 4 em cada 10 finlandeses contraíram a doença.
O catolicismo está nos matando!
Se apologia às drogas é crime, apologia à disseminação de doenças também deveria ser. E reduzir as mulheres a meras operadoras de máquina de lavar deveria culminar com um processo por preconceito e discriminação.
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sexta-feira, 6 de março de 2009
Mulheres possíveis
Por Martha Medeiros
Jornalista e escritora
(Texto do Jornal O Globo)
Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado três vezes por semana, decido as refeições, levo os filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para minha mãe à noite, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, estudo, levo o carro no mecânico, providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados à minha profissão, levo o cachorro passear e ainda faço escova toda semana - e as unhas!
E, entre uma coisa e outra, leio livros. Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.
Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.
Culpa por nada, aliás.
Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero.
Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros. Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho. Você não é Nossa Senhora. Você é, humildemente, uma mulher. E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante.
Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.
Tempo para fazer nada.
Tempo para fazer tudo.
Tempo para dançar sozinha na sala.
Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor.
Três dias. Cinco dias!
Tempo para uma massagem.
Tempo para ver a novela.
Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.
Tempo para fazer um trabalho voluntário.
Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas.
Voltar a estudar.
Para engravidar... curtir os filhos.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina?
Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.
Mulher é mulher, não pode parecer um homem!
Se o trabalho é um pedaço de sua vida, ótimo!
Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente. Mulher independente, fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.
E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante.
[Recebi este texto por email e achei sensacional. Simples, direto, honesto e verdadeiro.]
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Carol Rocha
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